« Os campos de trigo ondulam, respiram ao ritmo da acumulação de esperas fumegantes. O princípio bucólico ensaia os seus passos no horizonte...
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O incêndio
« Uma estação de comboios. Ela situa-se no luto dos escombros das nossas ruínas passadas. Os alarmes das máquinas bonitas avisam-nos da sua ...
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O desassossego
« O ocaso espreita nos desenhos das cortinas, os nossos braços esticados a reflectirem a luz na desordem do carinho. Sempre gostámos de trai...
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O deslumbramento
« O plano inclinado, a câmara move-se lentamente sobre nós, circula nos espelhos, a minha cabeça hipnotizada no teu brilho magnético. Podia ...
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A luz e a sombra
« As pausas nas figurações de sentido nunca foram um problema. Posso mapear-te as feições na pureza da obsessão, nas máquinas arrítmicas a d...
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A devastação
« Temos a mesma idade. Chamaram os familiares para se despedirem dele esta noite. O seu rosto era já passado para mim. Mais um vizinho, mais...
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A bifurcação
« Estou a olhar para cima, as marés despidas nas rochas de sonhos emprestados. Pensei convidar-te a escolher a areia por onde os nossos pés ...
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O olhar submerso
« As mulheres envelhecem como o leite. Assim me descreveste para apresentares ao destino o orgulho da tua nova vida longe de mim. Poderia ju...
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O mergulho
« Os braços, submersos, meros vultos na sombra dos cristais, indicam o caminho no azul deste abismo. As pernas, impressões de bailarina, bri...
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A contínua aceleração até ao Sol
« A brisa afaga-me os cabelos. Mantenho os olhos fechados, absorta. Numa época distante referi a falta de tempo como ser propícia ao romper ...
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A essência
« As mãos descem lentamente. Pressiono as pernas, o teu pescoço uma canícula nos meus pensamentos. O futuro é uma essência esbranquiçada, am...
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A doença é uma memória sem cor
« Reunida com as minhas sombras, desapareço. Os olhos não mentem. A felicidade um rumor, instante na ingerência das batalhas. És uma pessoa ...
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O bailado das faíscas de luz
« As gotas deslizam no meu ventre. Funículo por onde sobem os apertos do miocárdio. Mesclo-me com as noites sem fim, uma injustiça por caute...
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O chão é o nosso mosaico a sangrar na neve
« A luz do Sol cega-nos de tão presente nestes milagres coloridos. Cada uma destas folhas é uma veia, prenúncio de ramificações a despontare...
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Da banalidade do mal: conversas corriqueiras
- Olhe lá, o seu filho é comunista? Que eu saiba não, mas também não é de direita. - Olhe eu sou de direita, de extrema direita (mostra um...
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O meu coração é um pontinho cosido a quente
« O orvalho perdura nas folhas mescladas de amarelo e verde escuro azeitona. Uma escala cromática desigual. Na noite anterior, quando saí do...
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As estrelas alinhadas no declínio
« Resquícios embriagados. Os pés colavam naquele chão e escadas. Sentadas nos degraus, desalinhadas, falámos uma única vez e essa imagem per...
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O sono tem arranhões por concretizar
« Sou honesta e livre. Carrego neste útero o peso das pedras a quem um dia dei um significado maior. Um nome, uma tolerância escondida, uma ...
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