«Estou a olhar para cima, as marés despidas nas rochas de sonhos emprestados. Pensei convidar-te a escolher a areia por onde os nossos pés se iriam desencontrar no dia seguinte. Não o fiz. Já me dei demasiado e isso dita o meu comportamento. Estou diante de uma bifurcação. A escassez de ar dos precipícios da minha imaginação fundada em ruínas ou pintar mais alguns enredos no branco das nuvens das manhãs. Desaparecer no gesto magnífico do silêncio, um copo redondo com recheio vermelho escuro nos meus dedos, as pálpebras fechadas no entardecer, uma mão neste peito para medir o tom acelerado das palpitações prementes.
A tempestade, ao contrário da tinta derramada nas cartas, consegue-se antecipar e anuncia-se com toques repetitivos, falhas na atmosfera, irritações cutâneas, quebras rítmicas. Tudo desaparece nessa miragem de obviedade e a bifurcação deslinda-se nesse momento entre uma intensidade sem tréguas e uma sensação de segurança magnética a sugar qualquer energia negativa, pólo de atracção dos incautos, refúgio de animais. E rir, rir muito, no abraço lânguido da loucura.
Um convite, dois. Quem sabe três. Ainda tenho uns quantos. Sem intenção, não revelam caminho algum até aos pulsos agitados. Primeiro os meus olhos têm de perceber se querem mudar de direcção. E só aí, noutra bifurcação, as minhas costas poderão decidir o valor do impacto de umas escadas no meu centro de gravidade, ou não ter receio de partilhar informação a mais, as maleitas, a altura do mês, as compras a fazer. É quando os anéis transitam de um dedo para outro com a língua a ganhar um significado comum. Ou optar por não ser eu a endereçar convites, resguardada nas páginas de um livro enregelado em fuga permanente.»
A tempestade, ao contrário da tinta derramada nas cartas, consegue-se antecipar e anuncia-se com toques repetitivos, falhas na atmosfera, irritações cutâneas, quebras rítmicas. Tudo desaparece nessa miragem de obviedade e a bifurcação deslinda-se nesse momento entre uma intensidade sem tréguas e uma sensação de segurança magnética a sugar qualquer energia negativa, pólo de atracção dos incautos, refúgio de animais. E rir, rir muito, no abraço lânguido da loucura.
Um convite, dois. Quem sabe três. Ainda tenho uns quantos. Sem intenção, não revelam caminho algum até aos pulsos agitados. Primeiro os meus olhos têm de perceber se querem mudar de direcção. E só aí, noutra bifurcação, as minhas costas poderão decidir o valor do impacto de umas escadas no meu centro de gravidade, ou não ter receio de partilhar informação a mais, as maleitas, a altura do mês, as compras a fazer. É quando os anéis transitam de um dedo para outro com a língua a ganhar um significado comum. Ou optar por não ser eu a endereçar convites, resguardada nas páginas de um livro enregelado em fuga permanente.»
Nuno 'Azelpds' Almeida, Textos Soltos, 2026
A bifurcação
Guardar [MP3] Duração [1h02m02s] Data: 12-07-2026
Playlist:
01. Marva Von Theo - Embrace This Madness
02. Fyfe & Iskra Strings - Hallucinate
03. Hail the Ghost - Little Lungs
04. Other Lives - Cops
05. Sunrom - Glory
06. The Boxer Rebellion - Murder Ballad
07. MONO (Japan) - Snowdrop
08. The Seven Mile Journey - The Etiology Diaries
09. Atlantic Machine - Waiting for the Sun
10. Eightycuts - Island
11. Art School Girlfriend - Good As I Wanted
12. Slowdive - Sugar for the Pill
13. Skywatchers - Rhythm Of Ashes
02. Fyfe & Iskra Strings - Hallucinate
03. Hail the Ghost - Little Lungs
04. Other Lives - Cops
05. Sunrom - Glory
06. The Boxer Rebellion - Murder Ballad
07. MONO (Japan) - Snowdrop
08. The Seven Mile Journey - The Etiology Diaries
09. Atlantic Machine - Waiting for the Sun
10. Eightycuts - Island
11. Art School Girlfriend - Good As I Wanted
12. Slowdive - Sugar for the Pill
13. Skywatchers - Rhythm Of Ashes

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