Aube L - I Am (2011)

01. Something Simple
02. Love
03. They Can't Save You
04. Kiss Me
05. Watch
06. You Have to Grow Fast
07. We Never Walk Alone
08. It's Time to Change
09. Let Me Go
10. I Am
11. Give Us Freedom Now
12. Just Something Simple



Preciosidades, adoramos descobri-las. Mais ainda se tais tesouros originarem de uma partilha com base na vontade de dar ao mundo um pouco de luz, de nós. Aube L é uma artista francesa que me era desconhecida até ao momento em que trocámos umas palavras, o que aconteceu após o texto sobre o EP de estreia dos Sealight, também ele um pequenino tesouro a descobrir.

Todo o processo recorda-me de alguns casos semelhantes, como a altura em que descobri a música dos Tilbury On Cloves, de Burzinski ou dos Her Vanished Grace por exemplo. Um desejo de nos darmos a conhecer, uma imensidão de sonhos e vontade de fazer a diferença, de nos ajudar a viver.

‘I Am’ é já o sétimo álbum desta artista e é também um dos discos mais bonitos e interessantes que pude escutar este ano. Nada nos prepara para o que iremos escutar, o timbre invulgar da voz, as melodias com uma carga dramática que nos arrepia, as mudanças que acontecem em certas faixas e que nos fazem desistir de tentar adivinhar o que virá a seguir. A única artista onde encontro semelhanças com Aube L é a canadiana Chinawoman, por sinal outro caso raro de encanto por estes lados.

Descrever a música revela-se difícil. Tem elementos electrónicos, é definitivamente de cariz alternativo, as teclas, o dedilhar pontual de guitarra, uma melancolia aliada a uma exaltação de vida. Mas é na voz que encontramos a característica que marca de maneira mais proeminente a música de Aube L. É como se tivesse a capacidade de nos levar com ela para onde quer.

O disco abre com uma das suas faixas mais dançáveis. A propulsão do ritmo, as palavras, toda a melodia e pormenores contidos na música. É um excelente cartão-de-visita, atrai-nos, puxa-nos para continuarmos a ouvir o que se segue e é precisamente assim que começamos a aperceber-nos que podemos estar perante algo de especial. A originalidade e força das composições, somos os actores nestas peças de teatro, dói-nos a barriga, é bom, muito bom.

Destacar temas revela-se infrutífero. Desde a beleza do que dá título ao álbum, até aos calafrios provocados por ‘Watch’, a cada dia uma música diferente cola-se-nos à pele. ‘I Am’ tem tanto de experimental como de cativante, um reflexo de uma artista com uma identidade própria, que sabe bem o que quer, que não se coíbe de abraçar o seu lado mais negro e contemplativo quando necessário. Como não ficar dominado com uma música com a carga emocional de ‘It’s Time to Change’ por exemplo?

Escutar um disco como este é ficarmos intrigados não só com o que ouvimos, como também sermos assaltados com a pergunta de como é possível tal música andar por aí escondida em segredo. Verdadeiramente apaixonante este álbum.

Site oficial: http://www.aubel.biz/
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