Budapeste: O cão e a senhora

segunda-feira, Abril 14, 2014

Um olhar diz tudo. Prendo-me nas botinhas, fixo-me na senhora à procura da chave para entrar na porta de um prédio velho situado entre duas sinagogas. Ao lado dela, um cão adorável perscruta a rua. Melancólico, esconde em si a palpitação dos momentos de partilha próprios das amizades mais profundas. É ele que comanda todo o encanto desta vida de preocupações simples e de sonhos sem fim.


Budapeste: O Parque Bajor Gizi

sexta-feira, Abril 11, 2014

Encontros e desencontros. Budapeste convida a largos momentos de introspecção aliados à conquista de territórios até então desconhecidos. Com imenso para ver e para desbravar, é um aglomerado de fascínio, de pequenos poemas que escrevemos sem dedos.

Há uma facilidade de nos perdermos em nós diante dos mistérios de uma cidade que pauta por contradições e dicotomias constantes. O Antigo namora com o Novo, a amálgama de arquitectura imponente que se permite conviver com outras de pendor decadente, as tradições de costumes a colidirem com a criatividade inovadora, caótica e cuidada que transborda na decoração de muitos locais, sejam eles lojas, cafés, bares ou outros exemplos, a seriedade que é atribuída aos Húngaros e que se esbate quando olhamos para os cães que muitos deles passeiam de tão ridículos (no bom sentido) e queridos que são. Por vezes tudo isto e muito mais é estranho e não parece fazer sentido na nossa cabeça. Mas também é por isso que é uma cidade que necessita de tempo, de pausas na sua vida apressada para bebermos do néctar dos pormenores.

O segundo metro mais antigo da Europa (Londres tem o primeiro) encontra-se aqui, mas também existe internet gratuita através de Wi-Fi em todo o lado, até na tasca da esquina. O ritmo elevado da cidade e a eficiência no trabalho estão ligados de forma intrínseca a esta maneira de viver a tecnologia. Podem enviar um e-mail ou mensagem a qualquer hora que em pouco tempo (ou até imediatamente inúmeras vezes) terão resposta.

Budapeste: A realidade invisível

terça-feira, Março 25, 2014

Máquina ao peito, música nos ouvidos. Andar pelas ruas sem destino à procura de momentos e poesia. O mundo como que implode à medida que encontro realidades invisíveis. Os olhos, muito abertos, misturam alienação e concentração. A premissa de um agora mistura-se com a ideia de um futuro que nos traz um gosto de passado no resultado final.

Budapeste é propícia a estes devaneios, os mistérios à espreita em cada um dos distritos que dividem a cidade. Arquitecturas novas que se descobrem todos os dias, pessoas anónimas, expressões únicas, disposição particular de elementos que chamam a atenção, a luz que tolda o ambiente.

O senhor desta fotografia, ajudado pela sua bengala, despertou-me o olhar quando admirava a imponência Barroca da Igreja da Universidade situada na rua Papnövelde. Cansado, fazia uma pequena pausa na sua caminhada de minuto a minuto mas o tempo pertencia-lhe.


Murmúrios

sexta-feira, Março 21, 2014

«Remanescer na luz que perscruta as janelas e desfolhar-te. Um livro nu não precisa de marcadores. Absorve-se.»

Nuno Almeida
Equívocos Primários

2014

Murmúrios primordiais

Guardar [MP3, ZIP] Duração [29:45] Data: 21-03-2014

Playlist:
01. R.roo - Medlenno
02. The Oscillation - Out Of Touch
03. Il cielo di bagdad - L’ultimo gesto (Port-Royal Remix)
04. Diamat - Painkillers
05. Azoora - Septième étape