HOJE: djset no Fontória, em Lisboa

quinta-feira, Outubro 23, 2014

As noites anteriores têm conhecido sorrisos, agradecimentos. O público, em número parco por agora, aparece tardiamente mas é conhecedor da causa. O equilíbrio é precário, entre o fascínio de se escutar músicas e bandas que deixaram de ser comuns pelas mais variadas razões (ou outras que são realmente novidades) e apostas mais familiares que convidam ao desprendimento e à diversão.

Fragmentos do céu

quarta-feira, Outubro 22, 2014

«A cabeça nas ancas, quando amparada pelo mel derretido, podia ser desligada da sua forma corpórea todos os dias se me permitisse colar à erosão das montanhas.

Os abraços deslizam na profundidade das sinfonias dos seios expostos e as faces, escondidas no prazer da partilha de grupo, detectam lábios mordidos e colunas arqueadas. Há ninhos de tentilhões no lugar onde existiam os olhos, bocas esfaimadas por desenhos a lápis e o veneno escorre pelas colinas do paraíso, pacífico de turbilhões, livre de amarras. Não há manuscrito que contenha os fragmentos do céu.»

Nuno Almeida
Equívocos Primários

2014

Da ruptura no tempo

Guardar [MP3, ZIP] Duração [36:10] Data: 22-10-2014

Playlist:
01. Aube L - To The Sky
02. Birdpen - Off (Archive Remix)
03. Fields Of The Nephilim - Wail of Sumer/And There Will Your Heart Be Also
04. R.roo - Far Beyond The Stars
05. Glass Vaults - Don't Be Shy
06. Ummagma - Kiev (Haioka Remix)


HOJE: djset no Fontória, em Lisboa

quinta-feira, Outubro 16, 2014

A incerteza é uma sensação permanente. Nunca sabemos se estas noites vão voltar a acontecer, ou o que poderá ocorrer durante as mesmas. A overdose é também outro factor constante, seja na quantidade ou na diversidade musical, como nos pormenores que deixo espalhados nas publicidades alusivas a estes eventos e páginas associadas. Os textos mudam, existem vídeos diferentes para ver/ouvir, podcasts, enfim, uma torrente de partilhas em que nada é ao acaso. Mais do que dar uma ideia do que possa vir a acontecer ou de ser um simples acto de promoção, estas publicidades são elas próprias uma tentativa de dar algo às pessoas.

Pergaminhos de ser

terça-feira, Outubro 14, 2014

«A rua é um manancial de oportunidades. O fôlego escapa, cada vulto uma história, uma narrativa de descoberta, de invenções que se querem o mais distantes possível da ciência. A chuva despe-te com tiques de prepotência. Mais do que as tuas roupas desligadas do corpo, sei agora que gostas de candeeiros com luz amarela, suave, fofa, de música que provoque sorrisos suficientes para convenceres outras pessoas a sentir o mesmo. Os teus dentes, eternamente leite, alcançam galáxias, o leite no meu leite, nuvens despedaçadas em refúgios de almofadas cinzentas. Sentes como é fácil, como é bonito e não linear o que escondem os cadernos das sinapses?

Este é o tempo de falar, de pensar diferente, de dizer palavras sem maiúsculas, de nos queimarmos nas chamas de brusquidão, de andar dentro do teu andar, os dedos a saírem dos buracos esquecidos nas peúgas com bonecos distraídos. Os sonhos imaculados nos sonhos que desconhecemos, em corridas de cadeiras com rodas enferrujadas que riscam o chão. Somos tudo porque essa é a vontade, copos meio-cheios não sabem a mar.

Os sons, distantes, circulam nos canais auditivos. Esquerda, direita, réstias de nuvens, navegamos em jangadas a oscilar nas marés dos livros, das páginas por escrever com caligrafia delicada e bêbada o suficiente para se ser poeta e hermético quando necessário. O medo está na insignificância de existir, na recusa em admitir a fraqueza dos membros arrancados nas cordas permeadas de nós. O toque, não é uma especiaria de ecrãs voláteis ou de ruídos diários, frágil, depende das estrelas para se orientar. Nem sequer é físico. É um enigma que não se quer resolvido porque a vida sem mistério é apenas cálculo e matemática. A lógica de uns é a resolução amórfica de outros. Brilhante de vazio, imenso de tudo, as pedras da calçada perderam as fronteiras, a batalha para a água e a caneta pede agora um repouso no bolso do casaco de veludo. Os guardanapos, timbrados com o cheiro a tinta, são nenúfares a dormitar em lagos nocturnos, perfumes de dactilografia. Pergaminhos de ser.»

Nuno Almeida
Equívocos Primários

2014

Do respirar sem fôlego

Guardar [MP3, ZIP] Duração [42:35] Data: 14-10-2014

Playlist:
01. Astronauts - Flame Exchange
02. My TV is Dead - Just Another Day
03. Dream City Film Club - Because You Wanted It
04. PNDC&housework - Nothing In The Sky
05. hospital NEON - The Sailor
06. I Love You But I've Chosen Darkness - Fear Is On Our Side
07. Madrugada - We Are Go
08. Catherine Wheel - The Nude
09. Black Swan Lane - Lonely
10. Adorable - Breathless