The Golden Palominos – Dead Inside (1996)

01. Victim
02. Belfast
03. Ride
04. The Ambitions Are
05. Drown
06. Holy
07. You Are Never Ready
08. Metal Eye
09. Thirst
10. Curses



Projecto nascido nos anos 80, os Golden Palominos sempre foram centrados na figura central de Anton Fier, que chegou a tocar com os históricos Pere Ubu. Com ele apareciam depois vários colaboradores. Por este projecto passaram muitas figuras ilustres como Michael Stipe dos R.E.M., John Zorn, Lori Carson, ou John Lydon dos P.I.L. e Sex Pistols, sendo que com o tempo alguns colaboradores mais fieis começaram a manter-se em vários álbuns, como o conhecido baixista e produtor Bill Laswell e o guitarrista Nicky Skopelitis.

Chegados a este Dead Inside, que viria a ser o último álbum lançado pela banda, junta-se aos músicos a performer Nicole Blackman, conhecida pelos seus trabalhos de spoken word e colaborações ocasionais com outros projectos como os Recoil, tendo editado posteriormente o livro “ Blood Sugar”, que incluiria, além de outros textos, os presentes neste álbum.

O início do álbum, com a faixa Victim, dá logo o mote que este seria um trabalho muito diferente dos anteriores da banda, e que iríamos entrar também num universo bem negro e desconfortável. O som do vento, as primeiras palavras, de uma faixa de teor ambiental em que Nicole descreve na primeira pessoa o rapto de uma mulher desde o início do acto até às divagações sobre a sua existência à medida que pressente que a sua vida vai acabar, é de um impacto brutal, capaz de abalar qualquer pessoa sensível. A forma como as palavras são entoadas com o fundo sonoro cria um ambiente único, eficaz, de um inferno que poderia acontecer a qualquer um de tão real a interpretação. O que se segue são mais nove faixas em que Anton Fier e companheiros criam panos sonoros para as palavras da vocalista, andando entre as mais ambientais a outras que pautam pela electrónica e perto de sonoridades trip-hop.

Este álbum é o que costumo chamar de verdadeiro soco no estômago, não sendo fácil de ouvir do início ao fim, requerendo uma certa disposição, provocando um incómodo cá dentro, um nervoso miudinho, mostrando-nos coisas que sabemos que existem mas que, na maior parte das vezes, queremos fingir que não. Na altura tomei contacto com ele através do velhinho Blitz, quando este ainda era um jornal, não tendo demorado a comprar o CD meio às cegas só confiando no artigo. Ainda estávamos longe dos tempos de massificação da Internet e de overdose consequente de informação.

Pouco depois desenvolvi um fascínio tal por esta obra, que acabei mais tarde por comprar também o livro da Nicole Blackman, assim como tive oportunidade de a ver actuar ao vivo inserida num festival de spoken word no Porto, numa experiência que se veio a revelar como das mais perturbadoras (no bom sentido) que presenciei até hoje na minha vida.

Não sei de alguma vez os Golden Palominos vão voltar ao activo nem as verdadeiras razões de terem parado após este álbum. Quem sabe tenha havido algo que os tenha feito sentir que seria difícil seguir a experiência deste álbum tal o resultado final.

Perturbador para muitas pessoas, chato para outras, Dead Inside acabou por tornar-se para mim como um dos álbuns essenciais na história da música contemporânea.

Página myspace não oficial dos The Golden Palominos:
http://www.myspace.com/goldenpalominosfansite
Nicole Blackman, página myspace:
http://www.myspace.com/nicoleblackman
Nicole Blackman, site oficial: http://www.nicoleblackman.com

Nicole Blackman - The Courtesan Tales:
http://www.youtube.com/watch?v=nPnA0lB5WNo

4 comentar

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21 fevereiro, 2008 13:09 ×

este também foi um dos meus álbuns dos anos 90. nunca cheguei a perceber porque o achavam chato.

eu sempre o achei um soco no estômago, especialmente o primeiro tema, o "ambitions are" e o "holy" (penso).

comprei há pouco tempo o livro dela, "blood sugar", mas ainda não chegou. e sonho que ela venha a portugal

um abraço
jorge vicente

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Azelpds
admin
21 fevereiro, 2008 14:00 ×

Hi. :)

No fundo não é um álbum fácil de ouvir se não estivermos na disposição certa, ou se não gostarmos de experiências um pouco "diferentes". Tendo em conta a altura que saiu, o mais certo era as pessoas ouvirem aquilo e ya, acharem chato, ou opressivo demais.

Acho que hoje seria um álbum melhor compreendido, como muitos outros que eram um pouco avançados para o tempo.

Felizmente eu tive oportunidade de ver a Nicole Blackman no tal festival de spoken word no Porto há uns anos atrás, depois do lançamento deste disco. Pouco depois comprei também o Blood Sugar e tentei encontrar mais coisas dela em audio. :)

Mas o espectaculo dela no Porto foi uma experiência daquelas que marcam uma pessoa. Ainda hoje continuo a dizer que foi das mais perturbadoras que já pude assistir, no bom sentido. Lembro-me de termos saído do auditório, e ninguém falava sequer na rua. Só depois de uns 5 minutos é que as pessoas abriram a boca, tal o impacto. ;)

Obrigado pelo comment e prazer. ^_^

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ruicarvalho
admin
01 julho, 2008 12:55 ×

Eu tambem fui um dos que esteve presente no concerto de Nicole Blakman.ADOREI,
PARABENS PELO TEU EXCELENTE BLOG.

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Azelpds
admin
01 julho, 2008 12:59 ×

Olá e bem vindo. :)

many thx pela palavras, já vou investigar o teu também heheh. :p

Mas que belo evento que foi esse festival onde teve a Nicole não foi? Impossível de descrever.

:)

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