Cécile Seraud - Psykhé (2025)

1. Orphée
2. Two hearts in New Zealand
3. Flying soul
4. Hurt
5. Back home
6. Le papillon de nuit
7. Barcelone mon amour
8. I love your smile
9. Wake up





As mãos tremem de frio. O Inverno rigoroso de Janeiro não tem mistério na sua intenção. E nesse duelo os dedos aquecem com as notas de piano no interior deste disco com uma premissa particular, tão incómoda como bonita.
Um álbum a tentar lidar com oscilações de luz e escuridão, um gesto delicado, um sentido para a existência quando tudo aparenta desaparecer.
Uma amiga da pianista, após a morte do amor da sua vida e no calor de um abraço, pediu à artista para compor uma peça de música em homenagem à sua falecida alma gémea. A promessa foi selada aqui. E agora? Como lidar com tal peso para quem cria como para quem escuta? Obviamente não existe resposta a este dilema. E das memórias da amizade com o casal, da dor e perda, acabou por nascer algo mais, um álbum a tentar lidar com oscilações de luz e escuridão, um gesto delicado, um sentido para a existência quando tudo aparenta desaparecer. É, estamos perante uma obra complicada de digerir, mas bonita, muito bonita reitero.

A maioria deste registo é instrumental, existindo também algumas canções com voz recriando o sentimento, a história de duas pessoas, a sua relação. A carga emocional ameaça esmagar-nos, passamos da tristeza para sorrisos quietos.

Não é a primeira vez que esta artista francesa da cidade de Lorient, na zona da Bretanha, aparece neste blogue ou me inspira. Neste caso chegou ao ponto de quebrar a minha longa interrupção de textos sobre discos devido a ter ficado com a música e ideia por detrás da mesma na cabeça. Ideal para estes dias cinzentos, para recuperar a esperança num mundo cada vez mais doente. Para sentir.

Bandcamp: https://cecileseraud.bandcamp.com/album/psykh